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História

O Quilombo Povoado do Moinho, localizado a apenas 12 km de Alto Paraíso (GO), é uma comunidade de remanescentes quilombolas afrodescendentes, reconhecida oficialmente pela Fundação Palmares em 2015. Suas raízes se entrelaçam com a ancestralidade Kalunga e relações históricas com antigos fazendeiros da região. Embora não tombado pelo IPHAN, o Moinho carrega uma memória viva que desafia os conceitos tradicionais de patrimônio, pois o que ali se conserva com mais força não são os edifícios antigos, mas o próprio povo, sua presença e sua relação com a terra. A comunidade, com cerca de 200 moradores, preserva práticas sustentáveis e modos de vida simples, em contraste com a crescente influência urbana da vizinha Alto Paraíso. Apesar da modernização crescente em algumas casas e do fluxo turístico, o Moinho permanece um símbolo de resistência cultural e adaptação histórica, sendo um espaço em que a essência quilombola sobrevive, mesmo que em constante transformação.

Cultura

A cultura no Povoado do Moinho é marcada pela convivência harmoniosa entre a ancestralidade afro-brasileira e as transformações religiosas, sociais e ambientais contemporâneas. Os moradores vivem de forma serena, em profunda conexão com a natureza do Cerrado, cuidando dos rios, da mata e do descarte de resíduos. Com o tempo, a religiosidade de matriz africana foi sendo substituída por práticas católicas e, mais recentemente, pela fé protestante, refletindo uma mudança significativa nas expressões culturais da comunidade. Apesar disso, o sentimento de pertencimento ao território e a valorização das origens quilombolas permanecem presentes, especialmente entre os mais velhos e líderes locais. Eventos como a “Festa do Dia do Moinho”, promovida pela Associação Quilombola do Povoado do Moinho (AQPM), criada por filhos de moradores, representam um esforço recente de resgatar e celebrar a identidade coletiva. A cultura local não se apresenta como espetáculo, mas como um modo de vida orgânico, onde espiritualidade, memória e cotidiano se entrelaçam.

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Tradições

As tradições no Moinho não seguem um modelo fixo de preservação e, com o tempo, muitas práticas ancestrais foram sendo substituídas ou adaptadas. As construções de pedra, como a igreja católica — possivelmente do século XIX —, hoje apresentam modificações com cimento e tinta, o que simboliza tanto a continuidade quanto a transformação da materialidade quilombola. O conhecimento tradicional, como o cuidado com a terra e os saberes de curandeiras e parteiras, ainda permeia a vida cotidiana, mesmo que discretamente. A oralidade é uma das principais formas de transmissão cultural, passando histórias e modos de fazer de geração em geração. A comunidade valoriza mais a relação com o meio ambiente do que a reprodução literal de costumes antigos. Essa perspectiva desafia a lógica tradicional de patrimônio, propondo que o principal legado a ser resguardado não é apenas o passado, mas a maneira como o povo do Moinho constrói seu presente com dignidade, autonomia e respeito à sua ancestralidade.

Organização

O Povoado do Moinho é organizado em torno da Associação Quilombola do Povoado do Moinho (AQPM), que articula eventos e demandas sociais. As decisões importantes são tomadas coletivamente em reuniões comunitárias, geralmente realizadas no espaço público central, que também serve para festas e cultos religiosos.

Economia

A economia do Moinho é baseada na agricultura de subsistência e em pequenas criações. O turismo sustentável começa a despontar como alternativa, com visitantes interessados na natureza e tranquilidade do local. Alguns moradores alugam espaços ou oferecem experiências a quem busca vivências autênticas no Cerrado.

Religião

A religiosidade do Moinho passou por transformações: da herança afrodescendente à influência católica e, mais recentemente, à predominância evangélica protestante. Essa diversidade convive no cotidiano da comunidade, moldando rituais, festas e até a arquitetura, como se vê na igreja local.

Medicina

Ainda que a medicina tradicional tenha raízes profundas no Moinho, como mostra a memória de parteiras e raizeiras da região, hoje os moradores enfrentam desafios no acesso à saúde. A assistência médica adequada é uma das principais demandas da comunidade, que muitas vezes precisa se deslocar até Alto Paraíso.

Luta por Direitos

O reconhecimento oficial como comunidade quilombola, conquistado em 2015 junto à Fundação Palmares, foi um marco importante na luta do Moinho por visibilidade e acesso a políticas públicas. Ainda assim, a comunidade segue mobilizada por melhores condições de saúde, educação e infraestrutura básica.

Como Chegar

Para quem vem da Europa, o caminho até o Quilombo Povoado do Moinho começa pela chegada ao Brasil via Brasília, capital federal com voos diretos da Europa. De lá, segue-se por cerca de 220 km até a cidade de Alto Paraíso de Goiás, porta de entrada para a Chapada dos Veadeiros. A partir de Alto Paraíso, uma estrada de aproximadamente 12 km leva ao Moinho. É recomendável contratar um guia local ou agência especializada em turismo sustentável para facilitar o acesso e enriquecer a experiência cultural e ambiental.

Descubra Mais

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Goias, Brazil
2026-02-11 02:56:38

Viva a Chapada dos Veadeiros: 4 Dias de Natureza, Cultura e Cerrado Brasileiro

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